• Após ataques, Ceará vai transferir pelo menos 20 detentos para presídios federais

    FORTALEZA - Em meio a crise na segurança pública, o governo do Ceará anunciou na noite deste domingo, 6, que irá transferir nas próximas horas pelo menos 20 detentos para presídios federais.

    O número de transferências pode aumentar nos próximos dias uma vez que, de acordo com o governo cearense, o Ministério da Justiça já confirmou que irá disponibilizar 60 vagas nas cadeias federais. Um preso já foi transferido, mas não foi informado para qual presídio ele foi encaminhado. 

    A negociação das transferências foi feita diretamente entre o governador Camilo Santana (PT) e o ministro da Justiça, Sérgio Moro. A pasta federal já vem auxiliando o Ceará na crise de segurança cearense com o envio de homens da Força Nacional de Segurança.

    Balanço divulgado neste domingo pela assessoria de imprensa do Ministério da Justiça e Segurança Pública indica que os ataques em Fortaleza e cidades da região metropolitana da capital cearense diminuíram no primeiro dia de atuação da Força Nacional. De acordo com a nota da pasta, os episódios, que chegaram a 45 na quinta-feira, 3, e a 38 no sábado, 5, caíram para 23 neste domingo.

    A Força Nacional promove ações de patrulhamento ostensivo, preventivo e repressivo em terminais rodoviários e vias de grande circulação da região desde as 19 horas de sábado. Ao todo, 330 homens e 20 viaturas atuam no Estado.

    Nos últimos quatro dias, Fortaleza e cidades da região metropolitana da capital cearense foram palco de ataques a veículos e explosão. Os ataques aconteceram um dia após o titular da recém-criada Secretaria da Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, ter dito que não reconhecia facções no Estado e que não separaria mais os presos de acordo com a ligação com essas organizações.

    As operações são lideradas pela Polícia Militar do Estado do Ceará, mas contam com o auxílio da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e do departamento Penitenciário Nacional (Depen). A Força Nacional permanecerá no Estado por até 30 dias. O prazo, no entanto, poderá ser prorrogado.

    A pasta informa, ainda, que nenhum ônibus foi incendiado na capital ou Região Metropolitana desde o início da noite de sábado. Blitze com a inserção de mais 70 policiais militares são realizadas, até agora, em pontos estratégicos de Fortaleza

    Reforço. De acordo com a Secretaria da Administração Penitenciária do Ceará, cerca de 80 agentes enviados pelos governos de outros oito Estados do Nordeste reforçarão o sistema carcerário no Estado cearense. Alguns profissionais já chegaram, mas o número não foi confirmado pela pasta. Os agentes fazem parte da Força Penitenciária Integrada de Intervenção (FIPI) e já foram enviados em 2016, quando o Ceará passou por crise no sistema prisional.

    A decisão de enviar tropas da Força Nacional ao Ceará em meio a uma onda de ataques do crime organizado foi tomada pelo ministro Sérgio Moro depois de a equipe dele concluir que as forças estaduais não conseguiriam debelar a crise.

    Na sexta-feira, o ministro afirmou que a decisão de encaminhar a Força Nacional para o Ceará foi tomada após uma “ponderada avaliação” e que as forças de seguranças federais vão atuar de forma integrada com as estaduais para “servir e proteger a população” cearense.

    “O crime organizado não tem como vencer o poder público organizado”, disse Moro após publicar a portaria em que autorizou o envio e permanência por 30 dias de 300 homens e 30 viaturas da Força Nacional.(Estadão)




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