• Eleições 2014 – Valor dos “cabos eleitorais” faz candidatos desistirem de candidaturas

    Fonte: Calila Noticias / Foto: Reprodução

    Faltando menos de 50 dias para as eleições, a campanha eleitoral praticamente não foi para as ruas, sendo que neste período os fatos mais marcantes estão relacionados às desistências de candidatos à disputa proporcional alegando alto custo da campanha. Ao contrário das campanhas anteriores, quando os comitês já estavam devidamente montados e cabos eleitorais percorrendo os bairros e comunidades rurais, pouco se vê em termos de propaganda. 

     

    É preocupante o que está acontecendo com os apoiadores e quase nenhuma fala em projeto e proposta. Um candidato a deputado federal que pediu para não ser identificado, ao justificar o porquê de a campanha eleitoral estar demorando tanto para deslanchar disse. “Quando procuramos vereadores, ex-vereadores, suplentes, ex-prefeitos, enfim, gente da política para falar do nosso projeto eles encurtam a conversa e falam em dinheiro, aliás, altas somas de dinheiro, de forma desconectada da vida”, desabafou o postulante a uma vaga no congresso nacional. 

     

    Em uma matéria publicada no Jornal A Tarde sobre o assunto, o alto custo dos apoios e demais custos de campanha, no caso de uma disputa para deputado estadual pode custar até R$ 2,5 milhões; e de um federal até R$ 6 milhões. Por este motivo alguns candidatos desistirem da eleição ou da reeleição, a exemplo de Carlos Gaban (DEM), Sérgio Passos (PSDB) e Graça Pimenta (PMDB).

     

    “Continuando assim, só teremos bandidos na política, pessoas dispostas a pagar por votos. Não dá para ser assim”, diz Gaban, referindo-se à compra de apoio. “Se eu, como deputado, tenho rendimentos brutos de R$ 1,42 milhões em quatro anos, como posso gastar R$ 2,6 milhões na campanha? Esta conta não bate”, aponta o democrata, primeiro a desistir da reeleição. 

     

    Cabos eleitorais podem cobrar até R$ 200 mil para conseguir 100 votos nas eleições de deputado estadual e federal. O número de votos pode parecer pequeno pelo preço, mas em muitos casos são fundamentais para garantir uma das 63 cobiçadas cadeiras da Assembleia ou das 39 vagas da Câmara dos Deputados.

     

    A corrida pelos votos inflacionou o “mercado” de cabos eleitorais. Nos corredores da Assembleia Legislativa são comuns as reclamações dos candidatos que se sentem extorquidos a toda eleição. A única coisa certa relacionada ao assunto é que ninguém fala abertamente já que a contratação de cabos eleitorais pode ser tranquilamente enquadrada como crime de compra de voto. “E se compra voto mesmo. O sujeito pede tanto. Parte desse tanto ele contrata algumas pessoas para fazer panfletagem, segurar bandeira e algumas horas de carro de som. A outra parte coloca no bolso”, diz uma fonte inteirada sobre o tema, pedindo anonimato.




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