Fora da Copa da Rússia por não conseguir se classificar, os EUA estão no centro hoje do debate sobre o futuro da Fifa. A entidade máxima do futebol abriu a possibilidade para que, pela primeira vez, três países pudessem sediar o Mundial. Isso por conta da ampliação do número de seleções, de 32 para 48. 

Gianni Infantino, presidente da Fifa, estima que o novo formato geraria US$ 1 bilhão a mais em renda para a entidade, mesmo que para isso seja necessário um número maior de sedes e 80 partidas em apenas um mês. 

Do lado do Marrocos, as queixas apontam para o favoritismo de Infantino em relação à candidatura americana. O país do norte da África chegou a protestar contra decisões de última hora da Fifa em modificar certos critérios para a escolha final da sede.

A suspeita é de que Infantino, ao levar o torneio para os EUA, queira agradar as autoridades americanas, que continuam investigando as suspeitas de corrupção no coração do futebol.  

A mensagem de Trump ainda foi dada horas depois que o presidente da França, Emmanuel Macron, deixou Washington. A 

França já indicou que apoiaria a candidatura do Marrocos. 

Entre as delegações africanas, o peso de Trump no processo tem sido considerado, principalmente depois de ele se referir aos países africanos e outros em desenvolvimento como “buracos de merda”. Na Fifa, pelo menos um quarto dos votos vem de países africanos.

Em termos da qualidade da infraestrutura, a candidatura da América do Norte insiste que já tem tudo pronto para o evento, enquanto o Marrocos teria de construir ou renovar praticamente todos os estádios. 

Política. Na Fifa, quem vota são as 209 federações nacionais e a entidade insiste que não existe um posicionamento político por parte dos cartolas. Mas a história desmente a cada quatro anos essa tese. 

Para o Mundial de 2022, no Catar, o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, insiste que a decisão que pesou foi tomada pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy, interessado nos investimentos do Catar em seu país. 

Numa reunião no Palácio do Eliseu, em Paris, Sarkozy teria convocado Michel Platini, então presidente da Uefa, para o orientar sobre o voto. Platini, por sua vez, acabou levando para o Catar todos os votos europeus.

O próprio Blatter admitiu que havia um acordo para dividir a Copa entre as duas superpotências. Em 2018 ela ficaria com os russos e, em 2022, com os americanos. A escolha das sedes olímpicas também se tornou um assunto de estado, com presidentes fazendo campanhas explícitas e trocando apoio baseado na votação de suas cidades. Para 2016, o Rio de Janeiro contou com um departamento inteiro do Itamaraty para aproximar a candidatura de países aliados, principalmente na África, América do Sul e Oriente Médio. 

Se a Copa de 2026 for para os EUA, o território americano irá repetir a mesma situação que foi registrada no Brasil na atual década, com um Mundial e uma Olimpíada no espaço de dois anos. Em 2028, Los Angeles receberá os Jogos Olímpicos. (Estadão )

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