Trump e Kim têm agendado um encontro em Singapura, no dia 12 de junho, para discutir a eliminação de armas nucleares por parte de Pyongyang e da península coreana, mas nas últimas semanas esta reunião ficou envolta em incertezas.

O encontro foi posto em xeque pela primeira vez na semana passada, quando o governo norte-coreano fez críticas aos EUA, relacionadas à exigência de Washington de que Pyongyang abandone unilateralmente seu arsenal nuclear.

Segundo Trump, Kim parece ter mudado de postura com relação a essa aproximação depois de uma visita surpresa à China, onde encontrou o presidente Xi Jinping. "Devo dizer que fiquei um pouco decepcionado porque depois que Kim Jong-Un teve um encontro com o presidente Xi (...), houve certa mudança de atitude", disse o presidente americano.

Kim "estará seguro"

No entanto, Trump reiterou que, caso seja possível alcançar um acordo com a Coreia do Norte, Washington garantirá a continuidade 

de seu governo. "Vamos garantir sua segurança. E temos falado sobre isso desde o começo. Ele (Kim) estará seguro. Estará feliz. Seu país será rico, muito próspero", destacou.

Moon Jae-in disse, por sua vez, sentir-se confiante de que Trump será capaz de "alcançar uma mudança drástica", que inclua o fim da guerra da Coreia, que dura 65 anos, a completa desnuclearização da Coreia do Norte e normalizar as relações.

O súbito esfriamento no processo de aproximação acabou por afetar também as relações entre Pyongyang e Seul, que até então tinham se beneficiado claramente com a situação. Kim e Moon se encontraram em abril em uma reunião histórica na zona desmilitarizada que divide o país. Agora, com o novo cenário, um novo encontro entre os dois líderes coreanos pareça ter ficado em suspenso.

Moon chegou à Casa Branca nesta terça em uma tentativa desesperada de manter em andamento o encontro entre Trump e Kim e salvar o processo de aproximação iniciado no fim de março. Esta nova relação incluiu passos que meses atrás teriam sido impensáveis, como a viagem sigilosa do então diretor da CIA, Mike Pompeo, a Pyongyang. Uma viagem que ele repetiu em maio já como secretário de Estado para reuniões pessoais com Kim. Como gesto de boa vontade, o governo norte-coreano pôs em liberdade três cidadãos americanos que estavam detidos em Pyongyang.

Ruídos na comunicação

No entanto, os dois países pareciam falar de coisas sutilmente diferentes. Washington antecipou que o objetivo é convencer a Coreia do Norte a renunciar imediatamente a seu arsenal nuclear. Pyongyang, por sua vez, insistiu em que a questão de fundo é a desnuclearização da península coreana, fazendo referência também à presença de 30 mil soldados americanos na Coreia do Sul.

De repente, todo esse delicado processo de aproximação pareceu prestes a desandar, disparando os sinais de alerta no governo sul-coreano para a gravidade de um fracasso. Após gigantescos exercícios militares conjuntos entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos, Kim Jong-Un decidiu cancelar uma importante reunião de alto nível prevista com representantes de Seul, um gesto que caiu literalmente como um balde d'água fria no entusiasmo dominante.

Washington decidiu elevar o tom, a ponto de Trump sugerir à imprensa que a reunião tanto poderia ocorrer como poderia ser cancelada, sem mostrar preocupação para um eventual fracasso do processo. O ruído na comunicação tornou-se ensurdecedor quando o assessor de segurança da Casa Branca, o agressivo John Bolton, sugeriu uma solução que seguisse o "modelo líbio" para forçar uma desnuclearização da Coreia do Norte.

Imediatamente, Pyongyang ameaçou cancelar a reunião se Washington insistisse em considerar um "modelo líbio", isto é, um cenário que incluísse a destruição total do país. Na Casa Branca, Trump afirmou que o chamado "modelo líbio" "não está nos planos", embora tenha apontado que a ideia de Bolton se referia a um cenário no qual Washington e Pyongyang não chegassem a um acordo.(RFI )

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