Khalil al-Hayya, um dos líderes do Hamas, movimento islamita que governa a Faixa de Gaza, afirmou que as manifestações devem prosseguir.
O Hamas, que enfrentou Israel em três guerras desde 2008, apoia a mobilização e afirma que esta é uma iniciativa civil, um movimento pacífico. Os milhares de combatentes do grupo não utilizaram suas armas até o momento, mas Al-Hayya deu a entender que isto pode mudar.
- 'Qualquer atividade terrorista terá resposta' -
O exército israelense acusa o Hamas de utilizar este movimento para misturar combatentes armados entre a multidão ou para colocar artefatos explosivos na fronteira.
As autoridades israelenses mobilizaram milhares de soldados ao redor da Faixa de Gaza e na Cisjordânia pelo receio de novos distúrbios.
"Qualquer atividade terrorista terá uma resposta", advertiu o governo.
Israel teme que os palestinos derrubem a cerca de segurança e entrem em seu território. O governo alertou que utilizará "todos os meios" para proteger a barreira, seus soldados e os civis.
Ao mesmo tempo, o governo afirma que seus soldados só utilizam balas letais como último recurso.
Também estão previstas manifestações na Cisjordânia, a dezenas de quilômetros da Faixa de Gaza. Os dois territórios estão separados pelo território israelense.
Israel recebeu críticas pelo uso excessivo de força na segunda-feira.
O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir durante a tarde, a pedido do Kuwait.
Nesta terça-feira, a China pediu moderação, "especialmente a Israel (...) para evitar uma escalada de tensão".
As autoridades palestinas denunciaram um "massacre". Turquia e África do Sul decidiram convocar para consultas seus embaixadores em Israel.
Ancara acusou Israel de "terrorismo de Estado" e de "genocídio", atribuindo parte da responsabilidade ao governo dos Estados Unidos.
A França "condenou a violência das Forças Armadas israelenses contra os manifestantes" palestinos.
Mas o governo dos Estados Unidos, aliado histórico de Israel e cujo presidente Donald Trump multiplicou os gestos favoráveis ao Estado hebreu, bloqueou na segunda-feira a aprovação de um comunicado do Conselho de Segurança que expressava "indignação e tristeza com as mortes de civis palestinos que exercem seu direito de manifestação pacífica".
A Anistia Internacional chegou a mencionar "crimes de guerra".
Desde 30 de março, a Faixa de Gaza é cenário de protestos conhecidos como a "a grande marcha de retorno". O movimento defende a reivindicação dos palestinos a retornar para as terras das quais fugiram ou foram expulsos com a criação de Israel em 1948.
O movimento também denuncia o bloqueio imposto há mais de 10 anos à Faixa de Gaza por Israel para conter o Hamas.(AFP )

