A força-tarefa afirma que o bando lucrava pelo menos meio milhão todos os meses. Orlando Curicica está no presídio federal de Mossoró (RN). Ele é um dos alvos desta operação.

Curicica também é apontado como um dos suspeitos na morte da vereadora Marielle Franco e do seu motorista Anderson Gomes.

Seu braço direito, o PM Fábio Nascimento de Souza, o China, foi preso em Rio Bonito. Ele servia à Unidade de Polícia Pacificadora do Borel, na Tijuca, Zona Norte do Rio.

 

Quadrilha usava mulheres

A ação, batizada de Salvator, visa a cumprir 74 mandados de prisão - cinco deles contra policiais militares - e 90 mandados de busca e apreensão.

Chamou a atenção dos investigadores a participação de mulheres no esquema. A elas cabiam tarefas como cobranças de moradores e lojistas. Uma idosa está entre os presos.

“A prática deles é bem brutal. A gente tem testemunhas e vítimas de extorsões não só destas taxas de segurança, mas também eles tomando alguns comércios, tomando residências, torturando moradores”, explicou o delegado Gabriel Poiava.

Tráfico foi expulso há um ano e meio

 

A milícia atua no município há, pelo menos, um ano e meio. Antes, o tráfico dominava a região.

Após a chegada dos milicianos, traficantes começaram a aparecer mortos, com corpos deixados pelas ruas da cidade, uma forma de intimidar a população. Isso despertou a atenção da polícia e fez com que a quadrilha passasse a ocultar os cadáveres.

Segundo a polícia, a partir de então, a quadrilha comandada por Curirica também se tornou responsável, além de homicídios, pelo desaparecimento de pessoas na cidade.

Com o auxílio de PMs, eles passaram a matar usuários de drogas, autores de pequenos furtos e até mesmo parentes de traficantes de outras comunidades.

"Eles não só atuavam como a gente vislumbra naquela antiga clássica atuação de um grupo de extermínio, com 'taxa de segurança'", explica Rômulo Santos, promotor do Gaeco. "Eles cobravam sobre imóveis vendidos na região", frisou.

 

O promotor afirma também que imóveis tomados eram até anunciados na internet. "Eles expulsavam moradores, tomavam os imóveis e vendiam até através da OLX”, complementou.

 

Crueldade chamou atenção

 

De acordo com a polícia, uma das coisas que mais chamaram atenção durante as investigações foi a crueldade com que o grupo executava suas vítimas.

“Uma das coisas que nos chamaram a atenção foram os requintes de crueldade. Alguns foram presos também por tortura ,e alguns estão sendo presos porque mutilaram corpos de vítimas", disse Poiava.

 

"Um chegou a tirar o coração de uma vítima, a cabeça", citou o delegado.

 

Os integrantes da organização ainda são apontados como responsáveis pela maior chacina que já houve no município. Em janeiro deste ano, 10 pessoas foram brutalmente assassinadas.

A ação, da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar.

Ao todo, cerca de 300 policiais civis e 40 PMs estão nas ruas para cumprir os mandados.

Investigações

 

As investigações tiveram início na mesma época em que Orlando Curicica colocou um dos seus homens de confiança e braço direito, Renato Nascimento dos Santos, o Renatinho Problema, para expandir os negócios da quadrilha.

A atuação do bando começou no bairro Visconde de Itaboraí, mas, com a ajuda do policial militar Fábio Nascimento de Souza, o China, em pouco tempo o esquema expandiu para bairros vizinhos.

A organização criminosa, segundo o MP-RJ, tinha funções bem definidas, tais como donos, lideranças, gerência, ‘matadores’, recolhedores, soldados ou olheiros.(G1)

CONTINUE LENDO