• STF, Planalto e Congresso têm prejuízo de pelo menos R$ 20 milhões com invasão de janeiro

    O valor total de dinheiro público desembolsado ou estimado para cobrir os prejuízos dos ataques golpistas de 8 de janeiro já supera R$ 20 milhões, informam STF (Supremo Tribunal Federal), Palácio do Planalto e Congresso Nacional. Os dados mais atualizados foram obtidos pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação e também com a CPI do 8 de janeiro. Segundo as informações fornecidas pela cúpula dos três Poderes, o STF teve o maior prejuízo, com um valor de R$ 11,4 milhões até agora entre dinheiro já desembolsado e estimado. Em seguida, vêm o Congresso, com R$ 4,9 milhões — R$ 2,7 milhões na Câmara e R$ 2,2 milhões no Senado —, e o Planalto, com R$ 4,3 milhões. O valor total das perdas ainda deve crescer, já que há custos que, seis meses após o ocorrido, ainda não foram estimados. Em relação à estrutura do palácio, o maior gasto foi com a reposição da vidraçaria quebrada pelos vândalos (R$ 204 mil). Há ainda uma relação de 149 itens que desapareceram, entre eles oito armas de choque tipo spark elite 22.0, aparelhos de saúde (estetoscópio, nebulizador e glicosímetro), algemas, poltronas, gaveteiros e outros objetos. Assim como no Planalto, no Congresso os maiores valores informados dizem respeito à restauração de obras de arte e históricas danificadas pelos vândalos. O Muro Escultório de Athos Bulcão, que fica no Salão Verde da Câmara, sofreu uma perfuração, por exemplo. Já entre os furtos ocorridos no dia 8, há um presente do Qatar à Câmara, "The Pearl", feito em ouro, pérola e couro e avaliado em R$ 5.000. A Câmara vai precisar também trocar todos os 2.000 metros quadrados de carpete do Salão Verde — o principal da Casa —, a um custo de R$ 626 mil.  No Senado, a despesa mais alta diz respeito à restauração da pintura a óleo do século 19 que representa o "Ato de Assinatura da Primeira Constituição" —ela mede 2,90 x 4,41 metros, é emoldurada em jacarandá maciço, folheado a ouro. No dia dos ataques, vândalos se penduraram na obra, que fica no museu do Senado, na tentativa de derrubá-la.  A moldura, em madeira, também sofreu perdas de suporte, e a restauração completa da obra está estimada em R$ 800 mil. Já a tapeçaria de Burle Marx, que foi urinada, rasgada e arranhada até com bolas de gude, tem custo de recuperação projetado em R$ 250 mil. A coordenadora também aponta no relatório já terem sido restaurados vários itens vandalizados na invasão aos três Poderes. Entre eles, uma escrivaninha, datada do século 19, pertencente ao Palácio Monroe, a sede do Senado na antiga capital federal, o Rio de Janeiro.