“As agências de rating (classificação de risco) já vêm questionando os gastos públicos e deram um respiro para ver se o Brasil coloca suas contas em ordem. Uma eventual decisão de aporte de recursos aumenta a chance de o risco soberano ser rebaixado e os preços começam a mostrar esse temor”, acrescentou Gribel. Segundo ele, os bônus do Itaú com vencimento em 2023, considerados uma referência do risco corporativo brasileiro, caíram quase 2% de quinta-feira, um dia antes de a Petrobrás confirmar que não divulgaria o balanço do terceiro trimestre, até esta segunda-feira. O papel da dívida soberana brasileira com vencimento em 2024, emitido recentemente, caiu 1,2%. Gribel disse que os bônus da Petrobrás não perderam o viés de baixa com a conferência com investidores realizada nesta segunda-feira. Mas observou que os comentários ajudaram a pelo menos sustentar os preços nos níveis de sexta-feira. “Todos estão basicamente na expectativa do balanço, para calcular o impacto dos números sobre os investimentos. Claramente, a Petrobrás não vai atingir as metas de produção e não se sabe como ficarão os investimentos no pré-sal”, afirmou. Na conferência, o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, informou que a companhia tem caixa para garantir a operação da estatal por pelo menos seis meses sem acessar nenhum mercado de dívida. Barbassa disse ainda que a companhia precisa do aval dos auditores independentes nos resultados financeiros para realizar qualquer emissão internacional e que a estatal está correndo para obter uma carta dos auditores. Dívida externa. O executivo da Petrobrás admitiu que pode haver aumento da dívida externa se a companhia não entregar os números do terceiro trimestre, mesmo que não auditados, até o final do ano, conforme previsto nas cláusulas de obrigação de uma quantidade pequena de bônus emitidos lá fora. A companhia estima que fará essa apresentação de resultado no dia 12 de dezembro, mesmo que não auditado. (Fonte: Estadão)

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