Bate-boca na Câmara
Em tom de enfrentamento na Câmara, Cid disse não concordar com a postura de quem “mesmo estando no governo, os seus partidos participando do governo, têm uma postura de oportunismo”. “Partidos de oposição têm o dever de fazer oposição. Partidos de situação têm o dever de ser situação ou então larguem o osso, saiam do governo”, afirmou.
A sessão transformou-se em um intenso bate-boca que culminou com o abandono da sessão pelo então ministro. O PMDB ameaçou retaliar o governo, retirando seu apoio no Congresso, e Cid seguiu ao Palácio do Planalto, de onde saiu demitido pela presidente. Sua demissão foi anunciada por Eduardo Cunha a partir de informação do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.
Sob alegação de estar doente, Cid internou-se em um hospital de São Paulo e não compareceu à Câmara na semana passada. Hoje, insistiu nas críticas e escolheu Cunha, desafeto do Planalto, como principal alvo. Sem nenhum gesto de apoio nem intervenções de lideranças do governo ou do PT, deputados de partidos de oposição e independentes se revezaram ao microfone pedindo a demissão de Cid.
O líder do PSC, André Moura (SE), disse que Cid “é mal- educado, não tem moral, não tem decência e é um achacador do Estado do Ceará e de sua gente”. Ao retornar à tribuna, foi duramente criticado por Sérgio Zveiter (PSD-RJ), que o acusou de “estar fazendo papel de palhaço”. “O senhor me respeite”, reagiu Cid. “O senhor nem parlamentar é para falar desta forma”, disse Cunha, cortando o microfone do ministro. Cid deixou o plenário antes do fim da sessão.
O governo distribuiu nota oficial informando que ele “entregou seu pedido de demissão à presidenta”. A nota diz ainda que Dilma “agradeceu a dedicação dele à frente da pasta”.

