De acordo com a reportagem do jornal 'O Globo', o juiz Nivaldo Brunoni negou o pedido com a justificativa de que "o mero receio da defesa não comporta a intervenção judicial preventiva". Segundo o magistrado, as "considerações da defesa assumem natureza eminentemente teórica"e a investigação não irá resultar necessariamente na prisão processual de Dirceu. Ainda de acordo com a publicação, o juiz avaliou que as prisões da Lava Jato aconteceram principalmente por outros elementos comprobatórios e não por depoimentos de terceiros. Segundo Brunoni, o habeas corpus decretava segredo de Justiça com o objetivo de evitar problemas no sistema do processo eletrônico. Apesar da decisão do TRF-4, a defesa de Dirceu pretende recorrer da decisão no próprio tribunal, segundo informo'O Globo'. Para isso, Podval deve apresentar um agravo refimental para que um colegiado julgue a procedência ou não do habeas corpus. Investigação A situação de José Dirceu ficou ainda mais complicado após a prisão do empresário Milton Pascowitch, que fechou nesta semana um acordo de delação premiada com a Justiça Federal. Preso desde 21 de maio, Pascowitch se tornou o 19º investigado pela Lava Jato a concordar em contar o que sabe sobre esquemas de corrupção na Petrobras que envolviam pagamento de propina a políticos e fraudes a licitações. O empresário é apontado pelos investigadores como o operador de propinas da construtora Engevix, além de ser próximo a políticos do PT. A empresa dele, a Jamp Engenheiros Associados, pagou R$ 1,45 milhão à JD Consultoria, empresa do ex-ministro José Dirceu, entre 2011 e 2012. De acordo com informações do jornal 'O Globo', quando o repasse foi divulgado, em maio, a assessoria de imprensa de Dirceu declarou que o contrato havia sido assinado com o objetivo de negócios para a Engevix no exterior. Contudo, em delação, Pascowitch disse que o dinheiro pago a Dirceu vinha de propina. José Dirceu é investigado por receber dinheiro de empreiteiras envolvidas na operação Lava Jato. A defensoria disse ainda que Dirceu ficou sabendo que estava sendo investigado na operação da Polícia Federal por meio da imprensa e ficou surpreso com o fato.
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Pedido de habeas corpus feitos por advogados do ex-ministro da Casa Civil foi negado pelo Tribunal (Foto: EBC)
Juiz alegou que a investigação não vai necessariamente resultar na prisão do ex-ministro O pedido de habeas corpus preventivo solicitado pelos advogados de José Dirceu para que o ex-ministro da Casa Civil não seja preso na Operação Lava Jato foi negado pelo Tribunal Regional Federal, da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, nesta sexta-feira (3). Os advogados do ex-ministro da Casa Civil entraram com o pedido de habeas corpus depois que o lobista Milton Pascowitich afirmou se tratar de propina os pagamentos feitos a Dirceu e não resultado de consultorias, como ele alegava. O advogado Roberto Podval, responsável pela defesa do ex-ministro, pediu ao tribunal "ordem de habeas corpus, evitando-se o constrangimento ilegal e reconhecendo o direito do paciente de permanecer em liberdade".
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