Também entre as sete brasileiras selecionadas, Graciete Moreira acredita que foi uma das que mais comemorou a classificação. Ficando com a terceira vaga das mulheres, a competidora apenas celebrou no último dia para o índice olímpico. “Para mim foi bem emocionante. Por conta do meu índice ter sido baixo, torci até o último dia e no domingo, depois da prova de Sevilla, me confirmaram. Pulei de alegria por muitos motivos”, afirmou a maratonista, que falou também da preparação para os Jogos, rotina que vai além dos treinos físicos e também trabalha com o aspecto mental. “É uma prova muito importante no calendário esportivo, quando o lado emocional conta mais do que o treinamento. Como só participei de uma prova internacional, tenho trabalhado muito o lado psicológico para transformar as cobranças em apoio. Não quero pensar em pressão”, confirma.


Para as duas competidoras, a chegada dos Jogos pode mudar o cenário esportivo brasileiro, onde vários problemas ainda atrapalham a prática do alto rendimento para a modalidade. “(Existem) muitos, porque um atleta maratonista precisa de muito treino, é muito desgastante. Existem problemas em relação à preparação, pois todo o tipo de trabalho fora das pistas é caro, desde nutricionista até preparador físico. Além disso, também temos a questão da falta de uma pista para treinar também, além dos custos em relação às viagens”, confirma Graciete, que destaca o apoio da Federação Baiana de Atletismo (FBA) como um diferencial para seus filiados. “O presidente está perto dos atletas, entende nossas demandas. Muitas vezes nos ajuda como pode, mas ainda assim é complicado”, desabafa a maratonista.
 

Entretanto, mesmo com tantos sacrifícios e dificuldades, o que motiva as duas atletas que representam o estado segue como o principal motor para seguir competindo nas ruas do Brasil e do mundo. “A gente tem que ter um pouco de paciência, disciplina e coragem. Eu mesmo começo a treinar às 5h30 da manhã, às vezes de baixo da chuva mesmo. As pessoas veem e até me chamam de doida. Mas temos que ultrapassar as dificuldades e fazer nosso trabalho. Ninguém vai nos apoiar de repente, batendo na nossa porta e nos dando dinheiro. Temos que fazer por merecer, participar, e daí ter pessoas que veem o nosso trabalho e nos ajudem”, revela Marily, que também acredita que o legado do Rio 2016 será um maior estimulo para as futuras gerações. "Estávamos precisando disso. É uma coisa inédita que pode mudar tudo e acho que o futuro reserva coisas boas para a maratona no Brasil”. (Fonte:Bahianoticia).

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