• INVERSÃO DE VALORES E DIREITOS

    Advogado Dr.Cléio Diniz colunista do Destaquebahia.com.br

    Como jurista sei das obrigações legais do estado, todavia também sei dos princípios gerais do direito e de seu objetivo mais intrínseco, ou seja, a proteção e garantia da sociedade quando se fala em segurança pública, nos termos do artigo 144 da Constituição Federal.

     

    Também sei que em nossa cidade, Brumado, o problema de contingente é crônico e afeta diretamente a qualidade da prestação de serviço no quesito segurança pública, tanto na Polícia Militar quanto na Polícia Civil, todavia a ocorrência de dois fatos me deixaram indignados, principalmente como cidadão.

     

    Recentemente estive na delegacia de polícia, munido de provas para tratar de uma ameaça de morte sofrida por uma cliente, ameaça esta decorrente de outros atos já conhecidos deste órgão, ocasião em que recebi como resposta dada pela autoridade responsável pela delegacia que nada poderia ser feito em razão a falta de pessoal, deixando a entender que a pessoa ameaçada estaria a mercê da própria sorte. Uma negação da tutela do estado.

     

    Tal fato por si só já nos gera indignação, todavia foi agravado veementemente por um evento por mim presenciado na madrugada desta sexta (07.03) no Hospital Municipal Prof. Magalhães Neto, onde ao chegar me deparei com uma viatura da Policia Militar e posteriormente, já no interior da instituição tomei conhecimento da presença contínua de um Policial servindo de pajem, isso mesmo de babá a um bandido, um assaltante que recentemente foi alvejado em uma tentativa frustrada de assalto, conforme amplamente divulgado.

     

    Ora, primeiramente esta não é função da policia Militar, segundo como fica a população de bem, honesta e trabalhadora que em regra estaria descansando para um novo dia de trabalho? Largada? Desamparada?

     

    Não conheço situação em que, um cidadão de bem pode contar com uma escolta policial permanente durante seu tratamento, ou outra situação que se fizesse necessária, a exemplo da pessoa ameaçada de morte. Sei que muitos darão explicações, mas estas conseguirão justificar, ou mesmo suprir as necessidades dos cidadãos que trabalham, pagam impostos e sustentam o estado?

     

    Será que não estamos tendo uma inversão de valores? Vale lembrar que, sempre que ocorre uma rebelião, ou a morte de bandidos temos a presença de entidades denominadas de Direitos Humanos aparecendo em defesa destes, todavia não tenho conhecimento de nenhuma ação destinada às vítimas destes meliantes. E agora temos a sociedade largada em detrimento da proteção de criminosos.

     

    Apesar de redundante sou obrigado a perguntar: A quem deve o poder público proteger? A quem deve ser destinada a segurança pública? Afinal, quem é o bandido e quem é o mocinho nesta história? Em nome da aplicação estrita da lei não estamos tendo uma inversão de valores e direitos?




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