• Beijo lésbico e dedicação á prostituta são destaque do Prêmio Rio Sem Preconceito

    Jean Wyllys dedicou o prêmio à prostituta Gabriela Leite e Daniela Mercury comemorou o troféu beijando a esposa Malu Verços (Foto: Isabela Marinho/G1 )

    A entrega do Prêmio Rio Sem Preconceito, na noite desta terça-feira (26), no Teatro Carlos Gomes, no Centro do Rio, homenageou personalidades que de alguma forma contribuíram na luta contra a discriminação na cidade e no país. Ao todo 14 pessoas foram homenageadas. Uma das eleitas para subir ao palco e receber o prêmio, a cantora Daniela Mercury comemorou a entrega do troféu beijando a esposa Malu Verçosa.

    "Vamos tirar uma foto porque uma imagem vale mais que mil palavras. Ela [Malu] não gosta muito de fazer isso em público, mas vamos fazer", disse a cantora ao beijar a jornalista. "A nossa luta é pelos direitos humanos, não só contra a homofobia. Ela [Daniela Mercury] é a pessoa mais especial que eu conheço", respondeu a jornalista Malu Verçosa.

    Daniela Mercury aproveitou para criticar a Comissão de Direitos Humanos. "E aqueles deputados da Comissão de Direitos Humanos que ainda estão lá? Ninguém tira eles de lá. Eu queria dizer ao deputado que eu não cito mais o nome: Deus não quer ninguém que incite o ódio entre as pessoas. Fica aqui o meu protesto. Me irrita todos os dias saber que esses deputados ainda estão lá", disse a cantora.

    O evento, organizado pela Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (Ceds), destacou a necessidade de acabar com todo o tipo de preconceito — não somente o da discriminação sexual. Um grupo de bailarinas deficientes visuais da Associação de Ballet e Arte para Cegos Fernanda Bianchini, por exemplo, emocionou o público após uma apresentação intensa.


    O deputado federal Jean Wyllys dedicou o prêmio à prostituta Gabriela Leite, criadora da ONG Davida e da grife Daspu, que morreu este ano. "Gabriela Leite merecia receber este prêmio se aqui estivesse".

    Mãe Beata de Yemanjá, que luta pelo combate à intolerância religiosa, foi escolhida pelos homenageados da premiação ocorrida em 2011. Ela, que já discursou na ONU, dissr que " não existe brancos no Brasil, somos todos negros".

    A Ceds convocou os internautas para escolher um homenageado. O voto popular elegeu a paraense Bruna Lorrane - responsável pela criação do nome social para transexuais. "A segregação do LGBT se dá pelo preconceito, discriminação e violência. Nós somos tratados sempre como quase. Temos sempre que fazer a mais, que fazer diferente. Eu fui um quase menino. Hoje um dia eu sou uma quase mulher. Eu poderia ter uma união estável, posso quase casar", disse a transexual.

    Padre Beto, que foi expulso da igreja por apoiar os gays, também foi premiado. "Depois de 10 anos na Alemanha, retornei à Diocese de Bauru. Não podíamos contestar regras católicas. A postura da Igreja Católica é homofóbica. Em um país como o.nosso.dizer que usar camisinha é pecado, é uma grande ignorância. Durante 14 anos orientei jovens. O desamor é que não vale. E por não ser um padre que canta, eu fui ex-comungado pela Igreja Católica, mas não pelo povo. Jesus Cristo era um anarquista. Talvez tenha sido bissexual porque não tinha preconceito algum", disse Padre Beto.




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